A volta da previdência

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CARTA MENSAL – JULHO 2017

Prezado cotista,

O segundo semestre do ano começou bem, com o fundo Dimona tendo um retorno de 7,3% contra 4,8% do IBOVESPA, no mês de julho. O caos na política e a paralisia do governo, condições que foram repetidas ad nauseam pela maioria dos comentaristas políticos, não houve. Pelo contrário, o presidente Michel Temer mostrou-se uma raposa na arte da política e teve grande sucesso, tanto na aprovação da reforma trabalhista, extremamente importante para diminuir parte do risco país ao longo do tempo, quanto para que o plenário da Câmara dos Deputados rejeitasse dar prosseguimento, través do encaminhamento ao STF, do pedido de investigação proposto pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot.

A oposição ao presidente Temer conseguiu aglutinar alguns dissidentes da base e conseguiram a 227 votos, 115 a menos do que o mínimo necessário para afastar o presidente. Por outro lado, somando-se os 263 votos favoráveis a Temer, com as 2 abstenções, as 19 ausências e apenas os votos contrários a Temer no PSDB e no DEM, partidos mais importantes da base e favoráveis às reformas econômicas, podemos dizer que Temer poderia contar com 311 votos, suficientes para aprovar uma Emenda Constitucional. Se somarmos todos os dissidentes da base a esta conta, sabendo que partidos como o PPS também se declaram favoráveis às reformas, chegamos a 369 votos, excluídos desta conta os dissidentes do próprio PMDB e do PSB – 28 votos. Com base nesse quadro e, na ausência de novas “flechadas” contra o presidente por parte do nosso Procurador Geral “pouco cauteloso” da República, nos seus últimos dias de mandato, consideramos que voltou a pauta a principal reforma remanescente, a da Previdência e com razoáveis chances de sucesso.

E a desaceleração econômica derivada da delação do Joesley cobrou seu preço. O ambiente político conturbado enfraqueceu os indicadores de confiança dos empresários e dos consumidores. A estimativa de crescimento foi revisada para baixo e, com isso, também se reduziu a expectativa para a arrecadação, tornando mais difícil respeitar o déficit de R$ 139 bi previsto no orçamento.  A fazenda mostrou que não será leniente. Anunciou alguns cortes de despesas e elevação do PIS e da COFINS sobre os combustíveis. Não vemos com bons olhos as elevações de impostos, haja visto o já bastante elevado nível de impostos em relação ao PIB. Preferíamos que todo o ajuste fosse feito através da redução de gastos, mas da forma como o orçamento é engessado, cortes de gastos nem sempre são permitidos e, quando o são, em geral em áreas sensíveis aos políticos.

Mesmo com a elevação nos preços dos combustíveis, as projeções de inflação seguem confortavelmente abaixo da meta, tanto para 2017 (3,4%), quanto para 2018 (4,2%). Em função desse cenário benigno, o COPOM voltou a acelerar o ritmo de corte na taxa SELIC, para 1%. Na reunião de julho a taxa voltou para um dígito, em 9,25%. O mercado já projeta a taxa SELIC abaixo de 8% para o final desde ano.

O Real teve outra forte apreciação em relação ao dólar, se aproximando do nível pré delação, o que também contribui para a boa dinâmica inflacionária. O ambiente nos mercados financeiros voltou a ficar mais atraente aos investidores e houve o maior IPO dos últimos quatro anos, de R$ 5,1 bi do Carrefour Brasil (Atacadão).

Mais uma vez, houve destaque de alta para as ações das nossas varejistas e empresas voltadas ao setor de logística, além das empresas de properties, que se beneficiam diretamente da queda nas taxas de juros.

Esperamos que nossos representantes em Brasília, se não puderem ajudar o Brasil, que ao menos não atrapalhem a retomada da atividade e o círculo virtuoso que dela derivará. Se os políticos não atrapalharem, o Brasil até corre o risco de dar certo!! E junto com o crescimento do país e parte deste, estarão as empresas em que investimos. Estamos próximos de uma combinação muito favorável de variáveis econômicas e cujo ápice se dará com a redução do risco de descontinuidade que esperamos para as eleições de 2018. A condenação do ex-presidente Lula, ainda em primeira instância, foi um dos eventos que contribui para nosso otimismo. Uma cédula eleitoral e que não contenha o nome deste sujeito, por si só, faria com que investimentos em ações voltem a se tornar dos mais atrativos entre todas as classes, depois de muitos anos de ostracismo.

Atenciosamente,

André Gordon

Alocação Setorial do GTI Dimona Brasil FIA

 

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