Back to Fundamentals: Siderurgia (Usiminas & Gerdau)

O mercado de ações brasileiro está atravessando um momento de aversão a risco que faz os preços dos ativos fugirem do fundamento econômico/setorial. Estamos publicando a série "Back to Fundamentals" para demonstrar, no caso dos ativos dos Versa, que a queda não se justifica.

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Temos posição comprada nas ações das siderúrgicas Usiminas e Gerdau. Acreditamos que a queda das ações nas últimas semanas não reflete o fundamento econômico/operacional do setor e das próprias empresas. Desde o começo do ano, as ações da Usiminas caem -27% e as ações da Gerdau caem -15%. Abaixo, listamos os principais pontos que defendem a tese de investimento.

O Re-Equilíbrio Chinês

O mercado global de aço vem traçando re-equilíbrio após medidas de de racionalização de oferta na China. O país asiático, que por anos inundou o mercado global de aço, implementou reformas para combater níveis altos de poluição e riscos deflacionários em 2016. Desde então o país desativou siderúrgicas poluidoras/de alto custo, consolidando a capacidade de produção de aço em empresas maiores e modernas. Desde o início de 2016, a taxa de utilização de capacidade na siderurgia Chinesa aumentou de ~65% para ~75% hoje. Maiores nives de utilização dão mais poder de preço aos produtores Chineses e isso reflete positivamente nos preços da aço fora da China também.

Ambiente Macro Brasil Está Benéfico Para Siderúrgicas

No Brasil, a tese de recuperação econômica promete melhores volumes de venda de aço ao longo dos próximos anos, mesmo que desafios de curto prazo (como a greve dos caminhoneiros) tenha interrompido de forma temporária esse ciclo de alta. Importante frisar que, no passado, recuperações de demanda por aço pós recessão foram bastante voláteis. Não é raro, durante um ciclo de alta, ver meses de queda de demanda. A retomada quase nunca é linear. E no meio do caminho, nem toda eventual pressão macroeconômicas no Brasil seria ruin. O dólar, por exemplo, quando sobe, aumenta a competitividade do aço Brasileiro frente importações. Promove mais aumentos de preço em reais e deixa o aço brasileiro mais atrativo para quem importa do Brasil. Desde meados de 2017, o preço de aços planos no Brasil cresce mais de 20%. Esperamos que no acumulado do ano, o volume de aço vendido no país cresça ~5%. Mais da nossa visão sobre o ambiente macro em Macro Brasil – “O Mercado Antecipa Tudo”.

Tarifas de Importação de Aço nos EUA Favorecem a Gerdau

Nos EUA, de onde vem ~20% do lucro operacional da Gerdau, tarifas de importação de aço implementadas por Donald Trump vem melhorando o ambiente de negócios para siderúrgicas também. Lá, onde a operação da Gerdau vem entregando resultados ruins nos últimos anos, existe finalmente uma perspectiva de melhora expressiva de rentabilidade, via preços mais altos e crescimento ainda elevado da atividade econômica.

12 COMMENTS

  1. Como é possível recuperação econômica se a dívida pública vem crescendo e existe tantas reformas fiscais a serem feitas que dificilmente serão posíveis? Não é uma questão de tempo até que o governo tenha que tomar medidas que frearam o crescimento para poder se sustentar?

    • A melhor forma de combater o déficit público é crescendo. Se o país não crescer, o governo precisa cortar gastos. Se não o fizer, a saída é através da inflação.

  2. Por favor por diversas ocasiões foi informado que não teriam a intenção de reabrir o fundo. Qual o motivo da mudança de postura?

    • Paulo, tudo bem? Nao tínhamos a intenção de reabrir o Versa, porém a queda da cota abriu espaço na capacidade do fundo, e achamos uma ótima oportunidade para investir. De toda forma, por captação ou valorização, fecharemos o fundo novamente quando ultrapassar R$ 150 milhões. Se o mercado se recuperar, vai ser rápido.

    • Boa tarde Felipe,

      De forma alguma. Não é assim que funciona. O valor da cota tem seu movimento atrelado a rentabilidade do fundo e não a quantidade de cotistas.

      Atenciosamente,
      Marcus Vinicius

  3. Um fundo que indiquei para muitos amigos, mas que agora não me sinto nem um pouco confortável em indicar . É nas fraquezas que observamos as fragilidades : Um fundo um tanto quanto desorganizado . Um quinzenal , que sai sabe lá quando . Parece que estão mais preocupados em captar mais recursos , do que manter os cotistas informados acerca do que mais pesou no desempenho passado e o que estão fazendo para o futuro. Tem mais posts em 5 dias do que o semestre todo, com foco claro no aporte de recursos novos. Cansei de ouvir do Luiz Alves e do Marcus que o fundo não seria reaberto . Guardado as proporções dá pra comparar ao Doria . Se não tinha certeza era melhor afirmar que talvez reabrisse , caso houvesse redução significativa da cota. Olhe que nem tinha dinheiro para aportar ! Mas quebrou-se algo importante para mim e para muitos cotistas : confiança, credibilidade . Quem me garante que não virá outra surpresa daqui à pouco .

    • Prezado Enzo, primeiro pedimos desculpa pela demora em publicar o quinzenal. A Versa é um time de 6 pessoas assoberbadas de tarefas, e momentos de stress demandam muita energia. Ainda assim, fizemos grande esforço para publicar esta série de artigos fundamentando as posições do fundo, pois achamos que gerariam maior conforto para os cotistas que o simples quinzenal, que é mais superficial. Como na segunda quinzena de Maio o fundo caiu apenas 1% enquanto a bolsa caiu 10%, achamos mais importante explicar as posições do que o resultado. Não pretendíamos de fato abrir o Versa, mas a queda abriu espaço na capacidade do fundo, as ações ficaram baratas, e vimos a possibilidade reabri-lo para os inúmeros cotistas que não conseguiram investir no Versa antes do fechamento, ou que desejam aproveitar a oportunidade para aumentar suas posições (meu caso). A abertura do fundo não traz nenhum prejuízo aos cotistas atuais ou aos novos cotistas. Sempre que o Versa passar de R$ 150 milhões, será fechado. Esse compromisso é inquebrável. Um abraço

  4. Luiz Alves e equipe: Parabéns pelo trabalho! Essa correção só nos deixa mais animado pois é certo que vão capturar as oportunidades.

  5. Eu acompanho o balanço da Usiminas e o último resultado foi ótimo, sei que existe a guerra comercial que atrapalhou um pouco, mas nao entendo pq ela ficou com valor de mercado menor que a CSN, o que explicaria essa desvalorização de 30% em 1 mês? Eu tou achando a ação de graça, não tou discutindo posição, só queria saber mais sobre a fundamentalista dela…

    Obrigado!

    • O fundamento segue positivo, Álvaro. Usiminas é uma ação high-beta, bastante sensível ao sentimento macro Brasil. Nesses momentos de aversão a risco o papel sofre mais. Mas como explicamos no artigo, o ambiente de negócios para siderurgia no Brasil está positivo. Abraço!

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