Back to Fundamentals: Valid

O mercado de ações brasileiro está atravessando um momento de aversão a risco que faz os preços dos ativos fugirem do fundamento econômico/setorial. Estamos publicando a série "Back to Fundamentals" para demonstrar, no caso dos ativos dos Versa, que a queda não se justifica.

1
181

Temos posição comprada na Valid, e seguimos confiantes com a tendência de melhora operacional, mesmo após a turbulência recente na bolsa e na economia (greve dos caminhoneiros) que fizeram a ação cair ~10% desde o início da turbulência em maio.

Você já tirou sua carteira de motorista? Já comprou um celular? Ou tem um cartão do banco? Esses são os segmentos que a empresa atua, oferendo serviços e produtos de identificação, tecnologia e segurança. Nos reunimos com a empresa e de fato a greve reduziu o fluxo de emissão das carteiras de motorista naquela semana, mas o fluxo já se normalizou e até mesmo se intensificou em Junho para compensar a demanda que ficou represada.

Momento de Inflexão

Após passar por um período bastante desafiador de ~2 anos, a Valid começou a apresentar uma inflexão no fim de 2017 quando a margem da empresa voltou a subir, impulsionada por cortes de custo. No primeiro trimestre de 2018 a companhia entregou uma margem consolidada de 19%, nível não visto desde 2015, ajudada não apenas pela disciplina nos custos mas também pela normalização nos volumes em todos os segmentos. No primeiro trimestre desse ano, já conseguimos ver uma melhora substancial com o crescimento de 45% do EBITDA ano contra ano. Esperamos que esse ritmo forte se mantenha no segundo trimestre e durante o ano de 2018, fechando com crescimento na ordem de 25% com relação a 2017.  Para o futuro, enxergamos continuidade na melhora dos vetores de receita e rentabilidade.

O Negócio é Sólido e Continuará Gerando Caixa

Apesar de cartões e celulares sofrerem mais com ambiente econômico pior, a emissão de documentos (CNH, RG) é bastante defensiva e possui margem elevada (34%). No primeiro trimestre, 73% do lucro operacional (EBITDA) foi gerado no segmento de identificação. Para os próximos anos, estimamos forte geração de caixa e pagamento de dividendos pela companhia, 5% Dividend Yield 2018 (Sim! Maior que a poupança) e 8% em 2019.

Além disso, hoje o indicador de endividamento Dívida Líquida/EBITDA está em 1.7x, o que é um nível confortável dado que de acordo com o covenant da dívida ele pode chegar até 3x. Isso significa que se a dívida líquida se mantiver constante, o lucro operacional anual teria que cair mais de -40% para gerar um stress no endividamento da companhia.

Novas Iniciativas e a Adaptabilidade da Empresa

A empresa se reinventa de tempos em tempos. Já foi a maior emissora de cartão telefônico (lembra?) e impressão de talão de cheque. Atualmente, além dos negócios tradicionais, enxergamos valor em novas iniciativas como o rastreamento de água envasada e a estratégia de ser relevante no contexto de IoT (internet das coisas) automotivo. Tais iniciativas não estão refletidas nas estimativas do mercado, e podem aumentar o valor intrínseco da companhia. Por fim, a diretoria da empresa já mostrou no passado que é capaz de se adaptar a mudanças na indústria, ao conseguir sobreviver em um mundo sem talões de cheque e cartões telefônicos.

1 COMMENT

Deixe uma resposta