Bate-Papo Quinzenal : A reação da carteira ao Copom

No bate-papo comentamos sobre o desempenho da carteira nos primeiros 15 dias do mês e as perspectivas futuras.

0
707

Resumo da Quinzena

A carteira teve um ótimo desempenho no período, encerrando em alta de 9,4%. As ações compradas geraram um lucro de 17,8% enquanto os shorts e taxas perderam 8,4%.

30-dez-1613-jan-17Variação
Versa1,8972,0769,4%
Ibovespa60.22763.6525,7%
CDI aa13,6%12,9%0,5%

A grande novidade da primeira quinzena do ano foi o corte na taxa Selic acima do esperado, como antecipamos no post 75 bps em Janeiro, um risco que vale a pena correr. Nossas ações de Shoppings e Construtoras reagiram bem ao anúncio, gerando um lucro de 6,7%. As ações da Locamérica, principal posição da carteira, continuaram a subir impulsionadas pela melhora dos resultados e pela oferta de Movida, que ajuda a evidenciar o valor do papel, contribuindo para alta de 5,2% no setor de Infraestrutura. Das posições vendidas à descoberto, as ações da Vale do Rio Doce tiveram forte alta acompanhando a recuperação do minério de ferro, gerando a perda de 4% em Mineração.

Perspectivas

Continuamos confiantes que a economia brasileira começará a reagir em 2017, voltando a crescer na segunda metade do ano. Ainda, acreditamos que o BACEN continuará a cortar a SELIC agressivamente nas próximas reuniões, levando a taxa para 1 dígito no final do ano, aquecendo a economia, o que fará o mercado revisar a projeção do PIB de 2017 e 18 para cima. Por isto, continuamos com uma carteira otimista e concentrada em setores e ações que se beneficiam diretamente do corte, com Construção e Shoppings.

Em relação ao ambiente externo, os últimos dados macro mostraram aquecimento das economias europeias e americana no final de 2016, impulsionando a demanda global e afastando temporariamente o risco de uma nova recessão nesses países. Por outro lado, vemos com apreensão a situação econômica da China, que tem mostrado resiliência ao custo da expansão agressiva do crédito. A situação do mercado imobiliário parece cada vez mais insustentável após os preços dos imóveis subirem 30% em 2016, sem aumentar a taxa de ocupação, que continua ao redor de 65%. Por isso esperamos uma desaceleração de novas construções daqui para frente, o que afetará diretamente a demanda por aço e minério de ferro, o que nos levou a vender Vale. O atual rally do minério, que subiu de 55 usd/ton em outubro para 80 usd/ton ontem, não encontra fundamento no custo marginal de produção correspondente à demanda atual, que continua ao redor de 50 usd/ton. Por isso, acreditamos que é um reflexo da bolha de ativos na China, e pode cair a qualquer momento. Por último, esperamos que as políticas de Trump aqueçam a economia americana, exportando inflação para o mundo e elevando as taxas de juros globais. Como o diferencial para a taxa brasileira é muito alto, o corte de juros do Bacen não será afetado, por outro lado a China, cuja inflação mostrou sinais de aceleração, pode ser obrigada a subir os juros com mais força, antecipando o estouro da bolha.