Comitê Semanal (07/10) – A semi-recessão americana

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Resumo

Nesta semana os sinais amarelos brilharam mais fortes para a economia americana. O índice de manufaturas afundou em território negativo enquanto o índice de serviços passou a flertar perigosamente com o território contracionista. A geração de empregos, por outro lado, continua firme apesar de estar desacelerando. O economista do Credit-Suisse chamou este desempenho dispare entre os setores da economia de uma semi-recessão, cenário no qual a indústria contrai enquanto o resto vai bem. A última vez que aconteceu foi em 2015 e não teve conseqüências para as ações. A paralisia da manufatura, provavelmente causada guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, atingiu em cheio a Alemanha e começa a se espalhar pelo resto da Europa. Já o Brasil caminha na contra-mão com as pesquisas indicando aumento na confiança e no emprego. Será que conseguiremos descolar das economias desenvolvidas, como na crise de 2008-09? Os pessimistas argumentam que o mundo está mais globalizado e a interligação das cadeias produtivas impede que passemos ilesos. Os otimistas argumentam que o Brasil ainda é uma economia relativamente fechada e, da mesma forma que passou pela crise econômica de 2015-16 sozinho, pode se isolar na retomada. Sem razões para acreditar em um lado ou o outro, resta-nos acompanhar os sinais da economia brasileira que, por enquanto, continuam esverdeando.

Brasil

Na terça-feira o senado concluiu a votação em primeiro turno da reforma da previdência e aprovou o destaque sobre o abono salarial que reduziu a economia em ~R$ 80bi. As estimativas agora apontam para uma economia de ~R$ 740bi em 10 anos.

A produção industrial de agosto surpreendeu, mas os detalhes não são tão bons quanto o número sugere. A contribuição positiva veio da mineração que sobe pelo quarto mês consecutivo, fruto da recuperação da produção da Vale após o acidente em Brumadinho. Dos 26 ramos pesquisados só 10 cresceram. Nos últimos 12 meses a queda da indústria aprofundou de -1.3% para -1.7%.

O índice de gerentes de compra (PMI) do setor industrial de setembro teve nova melhora e atingiu as máximas dos últimos anos. Os entrevistados pela pesquisa indicaram aumento no volume de produção e nas encomendas para o mercado doméstico, enquanto as vendas internacionais ficaram contidas por um clima desafiador para exportações e pelos problemas na Argentina. O nível de emprego na indústria cresceu da maneira mais significativa dos últimos 7 meses em função das projeções otimistas com o crescimento e do fortalecimento da demanda. “O nível consolidado de otimismo foi elevado no contexto dos dados históricos para a pesquisa, apesar de ter caído um pouco em relação a agosto” (IHS Markit).

O índice para o setor de serviços também melhorou no mês com a entrada de novos trabalhos aumentando o mais rápido dos últimos 6 meses. O custo dos insumos continuou a crescer e, em resposta, os provedores de serviço revisaram para cima os seus preços de venda. O grau de otimismo, por outro lado, se atenuou e atingiu o menor valor dos últimos 3 meses mas continua alto comparado à média histórica.

fonte: IHS Markit
fonte: IHS Markit

Os dados de vendas de veículos da Fenabrave vieram fracos na comparação mensal pelo menor número de dias úteis, mas continuaram mostrando crescimento saudável em relação ao ano passado. As vendas de caminhões continuam sendo o destaque puxadas pelo agronegócio e pela internalização de frotas, levando a Fenabrave a revisar a estimativa de crescimento de veículos pesados (caminhões + ônibus) de +18% para +35% em 2019. A entidade manteve a previsão de +8% para veículos leves.

Os dados da ANFAVEA mostraram a produção crescendo em setembro em linha com as vendas, sinal que os efeitos da queda nas exportações (-7%) está diminuindo. Nos 9 meses do ano até agora a produção está crescendo 3% em relação a 2018, um pouco melhor que os 2% de crescimento até agosto. Apesar da melhora, a estimativa de crescimento de +9% da ANFAVEA está difícil de atingir. Os estoques de veículos leves e pesados está em 344k unidades, correspondente a 46 dias de venda, abaixo da média histórica de 60 dias.

EUA

A pesquisa ISM da atividade da indústria (manufaturas) caiu para o menor nível desde 2009, com o sub-índice de emprego afundando para o menor nível desde 2016.

O índice ISM de serviços também caiu, mas continua em território expansionista (>50). Todos os sub-índices caíram, sendo que o do emprego chegou em 50.4, próximo ao território contracionista.

A pesquisa PMI com os gerentes de compra, por outro lado, mostrou expansão em setembro como mostramos no Semanal de 23/09. Ainda assim o sub-índice de emprego da pesquisa de serviços também caiu e, nesse caso, entrou no território contracionista.

A pesquisa ADP de geração de empregos privados indicou a criação de 135k vagas em setembro, em linha com os 140k esperados pelo mercado. Já o BIS (Bureau of Labor Statistics), órgão do governo responsável pelas estatísticas do mercado de trabalho, computou a criação de 136k vagas em setembro, 114k das quais no setor privado. Com isso a taxa de desemprego caiu para 3.5%, nova mínima desde os 3.4% de 1969.

União Europeia

A pesquisa com gerentes de compras dos países europeus mostrou desaceleração ainda maior da Alemanha, acompanhado pelos vizinhos. O índice da União Européia está em território contracionista (45.7) enquanto o índice composto está no limiar da expansão (50.1) uma vez que o setor de serviços desacelerou mas continua em território expansionista (51.6 vs 53.5 em agosto)

China

Não reportou números em função das celebrações de 70 anos do partido comunista chinês

Commodities

Foi uma semana sem grandes oscilações para as commodities. O petróleo continuou em queda, puxando o índice CRB.