O novo presidente do FED e a economia americana

A escolha de Jerome Powell para liderar o Fed indica continuidade da política monetária da Yellen, de reversão gradual dos estímulos pós-crise de 2008. Tal postura favorece os ativos de risco, por enquanto.

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O Novo Presidente do Fed

Donald Trump nomeou, na quinta-feira passada, Jerome Powell para suceder Janet Yellen na presidência do banco central Americano (Federal Reserve, ou Fed) a partir de fevereiro de 2018. Powell, atual membro do comitê monetário americano (Board of Governors), saiu na frente em uma lista com quatro outros candidatos: Kevin Warsh, ex membro do comitê monetário; John Taylor, acadêmico de Stanford; Gary Cohn, atual conselheiro econômico de Donald Trump; e a própria Janet Yellen. Os dois primeiros pregam uma política monetária hawkish, de juros mais altos. Cohn defende juros mais baixos, uma postura dovish. Já Yellen prefere a conciliação entre as diversas opiniões do comitê de política monetária, e dessa forma vem revertendo gradualmente a política expansionista montada para combater a crise de 2008.

Powell, o primeiro Chairman desde a década de 1970 sem um PhD em economia, adota a mesma postura moderada de Yellen, o que sugere mais do mesmo: aumentar juros aos poucos e reduzir lentamente o tamanho do balanço do Fed, atualmente em mais de US$4 trilhões. Tal política preserva os fundamentos positivos para a economia americana que vem crescendo consistentemente com baixo desemprego e inflação, fazendo a bolsa atingir novas máximas.

Dito isso, enxergamos dois riscos inflacionários que poderiam acelerar o aperto monetário ainda na gestão de Jerome Powel: o pleno emprego nos EUA e a queda da produtividade da economia americana. O aumento mais rápido dos juros impactaria negativamente as economias emergentes, como o Brasil.

Riscos Inflacionários e O Eventual Aperto Monetário Americano

O Congresso americano atribui um duplo mandato para o Fed: estabilidade na taxa de inflação e a obtenção máxima de emprego. A inflação está controlada ao redor de 2%, por outro lado a economia americana encontra-se praticamente em pleno emprego, o que pode pressionar a inflação. Desde 2010, o número de empregos aumentou em quase 16 milhões e a taxa de desemprego caiu de 10% para 4%, igualando a maioria das estimativas da taxa natural de desemprego de longo prazo. Após sair de uma crise econômica, a redução do desemprego é esperada e positiva, mas pode trazer pressões inflacionárias, especialmente quando os salários começam a subir mais rapidamente que a produtividade (produto por hora trabalhada).

Fonte: Federal Reserve Bank of ST. Louis

De acordo com o Fed, isso já está acontecendo na economia americana. Enquanto o pleno emprego impulsionou aumentos salariais, o crescimento da produtividade desacelerou por dois motivos: o aumento lento do capital investido pelo empresariado devido à crise financeira; e o declínio acentuado na produtividade total dos fatores (PTF). A PTF representa avanços tecnológicos que aumentam a eficiência ou intensidade na qual são usados os insumos da produção (capital e mão de obra). Quando ela sobe, a economia consegue produzir mais com menos, e vice-versa.

Fonte: U.S. Department of Labor, Bureau of Labor Statistics

Atualmente a renda média populacional americana está crescendo mais rápido que a produção de bens e serviços. Se continuar, pode gerar excesso de demanda na economia e aumentos dos preços, a inflação. O banco central combate pressões inflacionárias com aumento dos juros, como tem feito, e pode ver-se obrigado a acelerar o ritmo à medida que os efeitos do pleno emprego e baixa produtividade venham à tona.

Impacto Para Brasil e Para o Fundo Versa

A bolsa brasileira, nosso universo de investimento, é diretamente afetada por tendencias globais, principalmente da economia americana. Um maior aperto monetário poderia incentivar a fuga de capitais das economias emergentes para os EUA, o que seria negativo para ações desses mercados, como a Bovespa. Ainda, juros mais altos tendem a favorecer fortalecimento da moeda local, o Dólar, fazendo o Real depreciar.

O Versa possui investimentos nos setores de siderurgia, autopeças, minério de ferro, celulose e petróleo, que juntos representam 25% da carteira. Nesses setores grande parte do faturamento vem das exportações, precificadas em dólar, e grande parte dos custos são pagos dentro do Brasil, em reais. Quando o dólar sobe, essas empresas veem suas receitas subirem mais rapidamente que seus custos, e os lucros aumentam. Dessa forma, a exposição “dolarizada” da carteira traz certa proteção à um eventual aperto monetário nos EUA.

13 COMMENTS

  1. Excelente carta. Poucos falam nessa possibilidade de inflação inesperada nos EUA. Podemos adicionar risco de alta nos preços do petróleo, em razão dos conflitos diplomático ou armados entre Arábia Saudita e Iran

    • Prezado Leandro, boa tarde.
      O mercado de ações oscila naturalmente entre um otimismo insustentável, que deixa as ações caras, e um pessimismo incompreensível, que traz oportunidades para comprar ações. Diferente dos especuladores, fazemos investimentos de longo prazo baseado em criteriosa análise dos fundamentos das empresas, por isso não nos preocupamos com os movimentos de curto prazo. Atualmente a estratégia do Versa está calcada em uma visão otimista sobre a economia brasileira, que está se materializando. Por isso, mantemos a exposição comprada do fundo e estamos aproveitando a queda para rever a carteira e procurar oportunidades. Para você dormir tranquilo é preciso que o seu investimento no Versa esteja alinhado ao seu perfil de risco. Temos confiança que nosso trabalho renderá frutos no longo prazo, entretanto o curto prazo pode continuar volátil.

      Att.,
      Marcus Vinicius

      • Obrigado Marcus! É muito importante esse contato com vocês. Desculpe se me expressei mal e passei alguma insegurança, pelo contrario , foi mais uma pergunta consultiva mesmo. Abs!

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