O Risco-Retorno do Versa

Com alta de 219% nos últimos 12 meses, o Versa tem se destacado pelo alto retorno, principalmente comparado aos 12% do CDI e aos 22% do índice Bovespa. Isso nos leva a pensar que alguma alquimia garantirá a continuação destes retornos e a esquecer o alto risco do fundo, que é o principal responsável por tal desempenho.

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Com alta de 219% nos últimos 12 meses, o Versa tem se destacado pelo alto retorno, principalmente comparado aos 12% do CDI e aos 22% do índice Bovespa. Isso nos leva a pensar que alguma alquimia garantirá a continuação destes retornos e a esquecer o alto risco do fundo, que é o principal responsável por tal desempenho. Por outro lado, não se trata apenas do resultado da famosa relação entre risco e retorno, uma vez que a medida de retorno ajustada ao risco do fundo também é excepcional. O Versa é comparável a um sistema de grande entalpia, no qual a energia pode ficar armazenada por meses ou anos antes de ser liberada e, quando as reações acontecem, a geração de calor é intensa.

O índice Sharpe de retorno ajustado ao risco é o mais usado na comparação entre fundos de investimento. O índice é calculado com divisão do retorno acima da taxa livre de risco pela volatilidade do fundo em um ano. Warren Buffett é o caso de maior sucesso em investimentos de alto risco que se tem notícia. O Sharpe das ações da Berkshire Hathaway desde que Buffett a assumiu (1976) é 0.76. Este é o maior Sharpe entre todas as ações americanas com mais de 30 anos a partir de 1926, enquanto o índice do mercado nesse período foi 0.39. Como é natural em qualquer investimento de alto risco, a Berkshire teve anos bons, quando o Sharpe superou 3, e anos ruins, quando as ações caíram e o índice foi negativo. O mesmo acontece com o Versa.

Um ano com Sharpe de 1 é considerado aceitável, com Sharpe de 2 é considerado bom e quando atinge 3 é excelente. É verdade que o Sharpe de 6.95 do Versa nos últimos 12 meses é extremo, e continua excelente em 24 meses, em 3.54. Considerando o fundo desde o início, o Sharpe cai para 0.72, já que o Versa teve retornos negativos nos dois primeiros anos. A mesma filosofia de gestão e, em grande parte, a mesma carteira levaram às altas e quedas do Versa, como esperado. Qualquer investimento arriscado é constituído, no longo prazo, de períodos bons e ruins. Desta forma, apesar dos melhores esforços e da máxima dedicação, é estatisticamente improvável que anos tão bons como estes se repitam com freqüência. Ainda assim, apesar de os 4 anos de história do fundo não se compararem aos 41 da Berkshire e tampouco termos a pretensão de nos compararmos a Buffett, os investidores que estão no fundo desde o início tiveram um excelente retorno ajustado ao risco, mesmo passando os primeiros 30 meses com o saldo menor do que o capital investido. Portanto, é importante resistir à tentação do dinheiro fácil e rápido, já que isto é uma ilusão. É preciso ter a consciência que períodos bons e ruins se intercalam ao longo do tempo, e o resultado que realmente importa é o de longo prazo. Temos convicção nos casos de investimento do fundo e confiança que darão ótimos frutos.

*Dados sobre a Berkshire Hathaway de 1976 a 2011 extraídos de Pedersen, L. H. (2013), “Buffett’s Alpha”, AQR Capital Management, New York University.