Resultado Mensal: Versa -11,4%, CDI +0,5%, Ibov -5,2% (Jun-18)

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Resumo do Mês

Junho foi outro mês de queda da Bolsa, que acompanhou as revisões do PIB para baixo. O fraco início de ano já colocava em risco as estimativas. A greve dos caminhoneiros gerou uma crise de confinaça que sacramentou o crescimento mais lento esse ano. As projeções do FOCUS para o PIB saíram de 2,75% em maio para 1,55% em junho.

PIB 2018 do Focus (preto) vs Ibovespa (azul)

O índice de confiança empresarial (ICE), calculado pela FGV com base nos índices de confiança da indústria, seriços, comércio e construção recuou para 90,5 em junho, queda de -1,9 após cair -0,6 em maio. Abaixo de 100 é território pessimista.

Fonte: FGV IBRE

Resultados

Na segunda quinzena do mês o Versa recuperou parte das perdas da primeira, subindo +10,8% enquanto o Ibovespa avançou +2,8%. O fundo terminou junho em querda de -11,4%, em linha com a média dos meses negativos de -12% (lâmina). O Versa terminou a primeira metade do ano em alta de +12,4% enquanto a bolsa caiu -4,8% e o CDI subiu +3,2%.

30-mai-18 29-jun-18 Variação
Versa 6,376 5,649 -11,4%
CDI aa 6,4% 6,4% +0,5%
Ibovespa 76.754 72.763 -5,2%

 

Além da queda da bolsa, a diferença entre os desempenhos das ações compradas (long) que caíram -7%, e das vendidas à descoberto (short) que caíram apenas -2%, aprofundou as perdas no mês.

Livro Posição Líquida Lucro (Prejuízo)
Long 206% -14,7%
Short -157% +3,5%
Opç Bolsa +20% -1,9%
Opç Dólar -41% -0,4%
CDI +0,5%
Taxas +1,8%
Resultado   -11,4%

 

Os efeitos da greve dos caminhoneiros foram sentidos em junho por algumas empresas. Varejistas como a Hering e a Via Varejo tiveram as vendas impactadas pela crise de confiança do consumidor. A frustração na receita deve atrapalhar a diluição de custos fixos, impactando as margens do trimestre. A Usiminas anunciou um aumento de preços em maio mas não conseguiu implementá-lo em função da greve. No final de junho aumentou o aço novamente. Já as incorporadoras postergaram alguns lançamentos do segundo para o terceiro trimestre.

Variação
Ação
Prejuízo Versa
HGTX3 -16% -4,6%
USIM5 -11% -2,5%
PETR4 -9% -2,1%
VVAR11 -20% -1,8%

maiores perdas em junho

Variação
Ação
Ganho Versa
BRPR3 +19% +4,8%
NATU3 -11% +1,9%
S&P -0,2% +1,7%

maiores ganhos em junho

Brasil Properties, destaque positivo do mês, recuperou parte da queda do ano e se tornou um dos maiores investimentos do Versa. A empresa comprou imóveis recentemente, como o Plaza Centenário em SP, que está em reformas, e o Passeio Corporate no RJ, que estão vazios e prejudicam o resultado de curto prazo, o que justifica o baixo preço que a Br Properties pagou. O mercado de aluguéis dá sinais de melhora, principalmente em SP. No RJ os leilões do pré-sal devem atrair investimentos e empresas. Sua maior vacância, a Ventura Towers, é ocupada por empresas do setor. Ainda, a BRPR voltou a investir em galpões nos arredores de SP. A expansão ainda timida da atividade e acelerada do comércio online aumentam a procura por centros de distribuição. Negociando a 65% do patrimônio líquido, equivalente a liquidar todos os imóveis com 20% de desconto e pagar as dívidas, encontramos uma boa margem de segurança na ação.

 


O Hedge

Existem duas opções para proteger uma carteira: um hedge ou diminuir a carteira como um todo. O hedge aumenta a posição bruta da carteira, tem risco. Por isso preferimos o hedge quando julgamos que, além de reduzir a volatilidade do fundo, tem assimetria positiva. Recentemente o Paulo listou razões para interromper o rally do S&P, que negocia ao alto preço/lucro de 16x apesar do aumento dos juros americanos. Nesta realização do Bovespa o S&P caminhou na direção oposta, recuperando boa parte das perdas do ano. Assim, neste momento encontramos no S&P um bom hedge para a cateira.

33 COMMENTS

  1. Prezados, sempre acompanho as postagens do site, tentando entender o que não é minha especialidade. Fico satisfeito com a maioria das explicações e se estou no VERSA e VERSA FIT é porque gosto e concordo com o viés fundamentalista do fundo, da alavancagem, da transparência e dos resultados já mostrados pelos gestores.

    No entando, durante um certo período, o fundo teveperdas em relação a opções com dólar. Se não me recordo mal, o fundo apostou na queda do dólar após alguma subida e a moeda continuou subindo. Agora faz hedge com S&P. Se S&P cair o fundo ganha. O problema é que esse tipo de aposta é muito mais chute pura e simplesmente. O dólar tem, além das forças de mercado, a influência das intervenções do BC. Tem o problema maior ainda que não é principalmente influenciado pela economia brasileira, mas de todo a economia e por todo o capital volátil mundial, centenas de vezes maior que o mercado de capitais brasileiro.

    O S&P também tem esse tipo de influência do mundo inteiro. A questão é se o resto do mundo quer acompanhar o tipo de crescimento e o lastro de posições que os EUA querem para si na gestão Trump. Se os EUA sofrerem pressão comercial do mundo inteiro, em retaliação às restrições comerciais, pode ser que isto diminua o potencial de crescimento da economia americana e o S&P caia. Mas se por outro lado, os esforços diplomáticos americanos e os ajustes pontuais na política de restrições os fizerem conseguir mais vitórias comerciais, a economia americana irá de vento em popa por longos anos, com S&P subindo. E eu não duvido da capacidade dos americanos.

    Por isto, acredito mais em dólar subindo + S&P subindo do que outra coisa. Me preocupa então o hedge atual em S&P. Ou eu não entendi nada direito? Também é possível.

    • Prezado, a venda do S&P é um hedge e algumas razões que podem fazê-lo cair estão no artigo. Ficaremos felizes se o S&P subir e a Bovespa subir muito mais. A posição em dólar foi um investimento perdedor como diversos outros. As vezes acertamos, as vezes erramos, é normal. Um abraço,

  2. É aquilo que eu falo… quem saiu dançou… perdeu a valorização de quase 5% no dia. Vai deixar o dinheiro na poupança por 1 ano e ainda não chegará nessa remuneração de 1 dia.

  3. Alckmin tem uma vitrine chamada São Paulo a mostra. Uma completa confusão com tantas falhas quantos forem possíveis serem vistas. Uma destas é o chamado “banheiro unissex” onde cada aluno pode escolher o banheiro que prefere usar segundo sua preferência sexual.
    Outro ponto a ser lembrado e que pode servir de base para o que possivelmente ocorreria se Alckmin for eleito, é um caso de 2016, quando a Secretaria de Educação do Estado, anunciou uma reestruturação da rede de ensino, onde haveria a mudança de escolas para os cuidados das prefeituras e os alunos realocados. Alguns revoltosos não por não gostarem da situação, invadiram escolas publicas.
    Tendo por base situações como as citadas, podemos entender que o governo Alckmin não teria pulso para tratar de situações mais delicadas. MST e CUT seriam beneficiadas pelas fraquezas do “estado”.
    O poder público enfraquecido provavelmente enfraqueceria ainda mais a entrada de capital estrangeiro no país. Uma das consequencias seriam novas mínimas na Bovespa, empresas saindo do país e a degradação do pouco que ainda nos resta.

  4. Cenário com Alckmin presidente podemos ver a economia enfraquecida, fuga de capital do país, conflitos internos e partidários.
    Uma visão clara é São Paulo. O governo cedendo a pequenos grupos, como quando aceitaram os banheiros unissex em escolas ou, como quando também o governo cedeu a um pequeno grupo de estudantes que invadiram escolas públicas por não aceitarem a mudança de algumas escolas para as prefeituras e mudanças internas.
    Um governo que não consegue lidar sequer com estudantes, como seria com outros países ? Iriamos abrirmos nossas fronteiras e deixar que façam o que bem entendem ?
    Como ficaria CUT e MST ? Haveria pulso para controlar os dois movimentos e evitar que retomem as invasões de terras ?
    A saída de capital estrangeiro do país seria evidente, a bolsa cairia e nós pagaríamos o preço

    • Desculpa Dion Cleiton, você está indignado com pautas que não tem haver com mercado. O mercado não está nem ai para banheiros unissex. As propostas econômicas defendidas por Alckmin, mesmo que nem tão liberais como seria ideal, provocariam uma disparada na bolsa. Ele é o candidato que mais gera confiança no mercado.
      Pode ser que no longo prazo – 2 anos ou mais – ele não consiga implementar aquilo que se propõe, mas a confiança gerada no curto e médio prazo seria bastante alta.

      • Bom dia Rafael.
        Sinceramente, um candidato que aprova propostas como estas, logo vê-se que não pulso suficiente para uma administração qualificada. Cedendo a pequenos grupos, como irá gerir uma economia ?
        Cedendo a pequenos grupos de ESTUDANTES, como lidar com potências como Estados Unidos e China ?
        Suas propostas podem ser pró-mercado, mas o mesmo não detém força o suficiente para colocar em prática medidas que façam o mercado Brasileiro tornar-se mais forte.
        Digo e repito, São Paulo é a vitrini. Dentro de um estado já houve o caos, imagine no país.

  5. Alckmin não tem chance. Marina idem. Ciro é o perigo. Bolsonaro com chances imensas de ganhar. Neste caso, será parecido com o q ocorreu com o Trump nos EUA. O chilique do mercado durou HORAS. Os futuros se recuperaram no mesmo dia. Depois o mercado foi pro céu.

    • Excelente. Penso exatamente assim. De início o mercado ficará desconfiado, mas logo irá decolar.

  6. Parabéns pelo trabalho Time Versa, confio e acredito na estratégia de vocês. Muito obrigado pela transparência…

  7. Prezados,

    Por que mesmo o barril do petróleo já ter valido mais do que 100 dólares em outras épocas, o combustível no Brasil não era tão caro quanto é hoje?

    Como ficaríamos ou ficaremos caso o barril volte aos 100 dólares.

    em outras épocas a queda do barril significava algo ruim para o país. E hoje?

    Att

    • Tem dois motivos principais:
      1- O dólar x real era bem mais baixo (ao redor de R$ 2)
      2- A Dilma segurou os preços na bomba artificialmente, gerando mais de R$ 80 bi de prejuízo para a Petrobrás, o que quase quebrou a empresa

      • Certo.
        O segundo fato eu sabia, mas que havia ocorrido mais ali por 2014, 13.

        o primeiro fato eu não havia percebido, o efeito dólar.
        se o barril de petróleo voltar aos patamares de antes, estará custando quase o dobro em reais, então, do que estava 6 meses atrás.

        Então nesse caso seria bom ou ruim a suba do barril?
        se fala que as commodities subindo é bom para o país, mas nesse caso específico seria bom mesmo?

        Recentemente o governo teve a popularidade ainda mais arranhada devido a suba do barril, juntamente com a suba do dólar. O povo entende a suba exclusivamente como fator corrupção e mal governo.

        seria boa a suba ?

        abraços.

        • Santos, assim como acontece com o aço, o ouro, a soja, o milho, o algodão, o café, etc, os aumentos no preço do petróleo deveriam ser repassados diretamente ao consumidor. Por outro lado, como você sabe, o brasileiro adora se apoiar no governo. Como a Petrobras é uma estatal e monopolista, é vítima neste processo. Como nossa matriz de transporte é, na maior parte, rodoviária, a alta no diesel pressiona a inflação. Atualmente somos exportadores líquido de petróleo, portanto a alta do barril também ajuda na balança comercial. O problema do preço da gasolina na bomba são altos impostos. Se uma alta do petróleo levar a redução de impostos e, em contra partida, redução dos gastos do governo, será bom para a economia. Se levar a outro desarranjo macro como na greve dos caminhoneiros, será ruim.
          Um abraço,

          • Luiz, deixa eu pegar carona nesse assunto…
            Como você vê essa ideia de o preço da gasolina vendida no Brasil ser baseada nos custos de produção do barril de petróleo da Petrobras – que ronda apenas 8 dólares o barril segundo próprio Pedro Parente? Imagino que mesmo incluindo os 50% de imposto, remuneração dos acionistas, custos de refino e custos de novos investimentos, o preço da gasolina cairia muito, sem quebrar a Petrobrás.

            Pergunto, pois alguns candidatos populistas estão ventilando uma politica de preços nessa linha. Para um leigo como eu, parece uma ideia boa, mas imagino que as coisas não sejam tão simples…tá difícil escolher candidato.

            Valeu e um abraço.

          • Rafael, tudo bem? Ótima pergunta. Esse custo de 8 dólares por barril é o lifting cost, o custo de tirar o barril da terra. Nesse valor não está incluindo o investimento para perfurar o poço (prospecção), nas plataformas de petróleo (produção), tampouco nos dutos e navios para transportar o óleo extraído. Além do investimento, deve ser considerada também uma remuneração do capital. Se não me engano, colocando tudo na conta, o nível do petróleo necessário para desenvolver um novo campo de petróleo é ao redor de 50 dólares por barril.

            Ainda assim pode-se argumentar que, acima disso, como nos atuais 70 usd /barril, a empresa está colhendo benefícios, o q é verdade. Por outro lado, o petróleo é uma commoditie como qualquer outra, e flutua. Os 50 usd por barril da viabilidade econômica pressupõe que o petróleo ficará acima desses níveis para sempre, o q não é verdade. Em diversos momentos o petróleo estará abaixo desse valor (como esteve na maior parte da história, e entre 2015 e 2017). Por isso, qualquer empresa de commoditie alterna períodos de bonanças com outros de baixa lucratividade. Os períodos de bonança servem para a empresa gerar caixa, pré-pagar dívidas, e se preparar para os períodos ruins, quando vai queimar caixa e contrair novas dívidas. Se a empresa não se prepara para os momentos ruins, quando eles chegam ela quebra, como quase aconteceu com a Petrobras após as palhaçadas da Dilma.

            Por último, a cadeia do petróleo é global, e diversos custos variam de acordo com o petróleo. Pense num fornecedor de plataformas, por exemplo. Quando o petróleo está caro, diversas projetos ganham viabilidade econômica, a demanda por plataformas aumenta, e o fornecedor aumenta o preço. A inflação dos custos do setor está atrelada ao petróleo. Por isso a empresa que não pratica os preços de mercado perde rentabilidade.

            A dinâmica dos mercados que rege as commodities é similar independente se é aço, soja ou petróleo. A diferença do petróleo para as outras é a intensidade de capital. Como montar uma petroleira é muito caro e arriscado (veja o que aconteceu com a OGX) é uma atividade geralmente feita pelos governos, que transformam o setor em um monopólio, e dá origem a todas essas discussões. Existem diversos modelos diferentes nesse mercado, como o Noroegues que pratica preços da gasolina e diesel de mercado, mas tem um fundo para arrecadar mais impostos nos momentos bons e gastar nos ruins. Tem o modelo Chinês, que pratica reajustes de tempos em tempos, como também fazia-se aqui nos tempos do FHC. E por último tem o modelo Venezuelano, que vende gasolina muito abaixo dos preços de mercado. A maior prova, entretanto, que não é necessário intervenção do governo para ter gasolina barata é os EUA. Lá a indústria é 100% privada, o que faz a gasolina necessariamente flutuar com o mercado, mas ainda assim o combustível é muito barato, pois não tem impostos. O problema da nossa gasolina cara não é a política de preços da Petrobras, mas os impostos absurdos cobrados para sustentar o Estado inchado. Por isso quanto menos Estado, melhor.

            Um abraço,

  8. Prezado Luiz Alves, sou cotista do fundo e analisando o rendimento histórico de 2013 à data atual, você poderia dizer alguma coisa a respeito dos anos de 2013 a 2015 onde o desempenho anual ficou negativo? Houve alguma mudança de estrutura de investimentos, houve alguma mudança neste caminho que mudou a forma de investimentos do fundo que refletiu na melhora a partir de 2016?

    • Boa tarde Nei. Até nov-14, o fundo tinha outra estratégia, era um Equity Hedge. A partir de nov-14 o fundo adotou a estratégia atual, virando o Versa Long Biased. O maior responsável pela mudança no desempenho é a economia, que passou por anos terríveis, deprimindo o preço das ações. A partir de 2016 as perspectivas voltaram a melhorar, que culminaram na virada do PIB em 2017. Como as ações reagem às expectativas, começaram a subir em 2016. Um abraço,

  9. Boa Tarde, com é a possibilidade de 2018 repetir as boas performance de 2016 (164%), 2017 (185%) ? Em 2018 (17%) estamos bem longe dos desempenhos anteriores.

    • Boa tarde Alessandro. A bolsa teve desempenho muito superior nos anos anteriores também, o que nos ajudou. A estratégia continua a mesma, mas não temos como dizer qual será o resultado… Um abraço

  10. Prezados, a prévia da inflação não veio muito alta?

    Considerando que a greve fez com que os preços subissem muito naquele mês de maio/junho, mas os níveis voltaram mais ou menos aos patamares de antes.

    Do alto da minha ignorância, eu ache que veria uma deflação nesse mês, corrigindo parte daquela suba não representativrepresentativa.

    Abraços

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