Resultado Mensal: Versa -11,8%, CDI +0,6%, Ibov -3,4% (Nov-17)

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Resumo do Mês

A segunda quinzena de novembro fechou com pequenas oscilações apesar da grande volatilidade. O Versa caiu -1,3% e fechou o mês em queda de -11,8%, enquanto a bolsa subiu 1,6% e encerrou novembro caindo -3,4%. O imbroglio da reforma da previdência continuou minando a confiança dos investidores e atingiu a nossa carteira que tem viés otimista. A reforma da previdência é indispensável para o equilíbrio das contas públicas no longo prazo porém, como disse Gustavo Franco no Roda-Viva de 27/11, apenas esta reforma não é suficiente para isso. Esta é parte de uma reforma mais ampla necessária para atingir o objetivo, e não a tábua da salvação. Dessa forma não é indispensável que aconteça no mandato de Michel Temer e por isso não vimos razão para reduzir a alocação da carteira uma vez que a recuperação da economia continua firme e acelerando. O PIB divulgado na sexta-feira 1o de dezembro mostrou forte crescimento do consumo das famílias mesmo sem a liberação de recursos do FGTS, que acabou no 2o trimestre. A geração de empregos, a queda na inflação e a melhora do crédito são os prováveis responsáveis pelo aumento. Mais surpreendente foi o primeiro crescimento dos investimentos desde 2013. O aumento da confiança dos empresários, a redução na taxa de juros e a diminuição da alavancagem das empresas explicam o resultado. O IBGE revisou os PIBs do 1o e do 2o tri para cima, fazendo o FOCUS revisar o PIB esperado em 2017 de 0,73% para 0,89%. Assim continuamos confiantes que a recuperação da economia continuará a impulsionar o lucro das empresas da carteira, e estimamos que o PIB crescerá 3% em 2018.

Mês de Novembro

31-out-17 30-nov-17 Variação
Versa 5,012 4,420 -11,8%
CDI aa 7,4% 7,4% 0,6%
Ibovespa 74.308 71.783 -3,4%


Segunda Quinzena de Novembro

14-nov-17 30-nov-17 Variação
Versa 4,476 4,420 -1,3%
CDI aa 7,4% 7,4% 0,3%
Ibovespa 70.827 71.783 1,4%

 

No último resultado quinzenal mencionamos que havíamos ficado otimistas com a reforma da previdência, e ainda estamos. Como a reforma melhora as perspectivas para as contas públicas, ela diminui a pressão sobre a taxa de juros brasileira. Por isso decidimos eliminar o hedge da carteira comprado no DI futuro (juros), decisão que se mostrou acertada.

Livro Posição Líquida Lucro (Prejuízo)
Long 185% -9,6%
Short -125% -1,4%
Opções 89% -4,2%
Juros 0,1%
CDI 68% 0,4%
Taxas 2,8%
Resultado   -11,8%

 

O grande vilão da segunda quinzena foi, mais uma vez, o descasamento entre os livros comprado e vendido a descoberto. Enquanto a bolsa subiu +1,4% as ações compradas subiram +1% e as vendidas a descoberto subiram +3,5%. No mês a bolsa caiu -3,4%, as ações compradas caíram -5% e as vendidas a descoberto caíram apenas -1%. Dentre as ações compradas os destaques negativos foram Fibria que caiu -14% em novembro causando um prejuízo de -2,2% ao fundo e Petrobrás que caiu -8,3% causando uma perda de -1,9%. Fibria é atualmente um dos casos de maior convicção da carteira, por isso aumentamos a posição ao longo do mês. Enxergamos grande potencial de valorização nos próximos 3 anos em função do aumento da produção da empresa e da ausência de novos projetos de celulose, conforme explicamos no artigo Fibria: crescendo na hora certa. Dentre as ações vendidas a descoberto, o destaque negativo foi RaiaDrogasil que subiu +12% do mês e causou prejuízo de -3% à carteira. Não encontramos razão para tal valorização. A empresa está sofrendo pressão na margem bruta em função do menor reajuste dos medicamentos mas tem conseguido compensá-la com cortes nas despesas de vendas, gerais e administrativas. A margem bruta é a mais importante para qualquer negócio e há um limite para a redução nas despesas de VGeA a partir do qual a queda na qualidade do serviço afeta as vendas. Negociando a mais de 50x o lucro de 2017, múltiplo mais alto dentre todas as empresas que acompanhamos, esta ação só possui valor se a empresa expandir a rentabilidade, o que parou de acontecer. Para ilustrar o tamanho da oportunidade que vemos no nosso portfolio comparamos na tabela abaixo os números de RaiaDrogasil, nossa maior posição vendida à descoberto, com Locamérica, nosso maior investimento comprado.

RaiaDrogasil Locamérica
Retorno sobre o PL 17 17,3% 16,7%
Crescimento Lucro 17 +15% +97%
Preço/Lucro 17 53x 18x
Retorno sobre o PL 18  20,1% 23,2%
Crescimento do Lucro 18 23% 66%
Preço/Lucro 18 41x 11X

 

Os números acima são as expectativas do mercado (Bloomberg) que discordamos. Achamos que RaiaDrogasil terá pequena ou nula expansão de rentabilidade em 2018, como em 2017, pela repetição do baixo reajuste de medicamentos. Do outro lado temos um lucro +10% maior para Locamérica do que o esperado pelo mercado. Mesmo desconsiderando as diferenças nos perguntamos diariamente por que o mercado acredita que um negócio de farmácias com retorno para o acionista e crescimento piores que um negócio de aluguel de automóveis deve valer 4 vezes mais. Mesmo a Localiza, empresa referência do setor de aluguel que possui um retorno para o acionista de 22% e crescimento esperado de +20% negocia a 21x o lucro de 2018, metade do valor da RaiaDrogasil. Locamérica caiu -5% no mês, causando um prejuízo de -1,6% ao fundo.

A perda do Versa em perspectiva

O Versa é um fundo de alta volatilidade e está sujeito a ganhos e perdas significativas a cada mês. Desde que adotamos a estratégia Long Biased os meses positivos tiveram retorno médio de +16% enquanto os negativos de -14%. O prejuízo de -12% em novembro foi menor que a média e foi apenas a segunda perda em 2017 que acumula 9 meses de ganho. O fundo amargou perdas de -15% em 2014 e -20% em 2015 antes de subir 182% em 2016 e 135% em 2017 (até agora), acumulando alta de 346% em pouco mais de 4 anos, rentabilidade difícil de ser equiparada. Não há como prever quando e quanto o fundo irá subir, por isso os poucos cotistas que capturaram este movimento foram aqueles que investiram no início e apesar das quedas mantiveram a confiança no nosso trabalho. Esta é a razão do Versa ser um fundo de longo prazo e de aconselharmos um horizonte mínimo de 3 anos. Temos convicção na nossa metodologia de seleção de empresas e na estratégia do fundo, por isso continuamos fazendo o mesmo com consistência. Somos os maiores investidores do Versa e os mais impactados pela queda, mas sabemos que não há caminho fácil. Acreditamos que esta é uma das melhores oportunidades de investir na bolsa nos últimos anos, e esperamos tirar proveito disso.

Teremos o prazer de responder dúvidas e sugestões, basta escrever na caixa de resposta abaixo.

9 COMMENTS

  1. Olá, tudo bem? Sou cotista do Versa,quero aproveitar para parabenizá-los pelo trabalho.
    Acho bem interessante, essa divulgação quinzenal dos resultados,e uma análise breve das posições, mostrando uma transparência e preocupação com os cotistas.
    Nesse artigo e no Fibria: crescendo na hora certa, vi que vocês estão convictos na posição de Fibria. Semana passada vi uma notícia na Infomoney: (http://www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/7119116/fibria-suzano-rebaixadas-novo-mais-recomendacoes-eletrobras-faz-apelo-congresso) ,onde o Santander e o Credit Suisse rebaixaram a recomendação em Fibria e Suzano, devido ao preço da Celulose ter expectativa de baixa em 2018, antes de se recuperar em 2019-2020.
    Vocês acham que isso vai afetar muito a posição no curto prazo?

    • Bom Dia, Felipe!

      Obrigado pelo feedback. De fato, existe um viés negativo para preços de celulose em 2018 pelo aumento de capacidade da própria Fibria, com seu projeto Horizonte 2, além do retorno de capacidades que fecharam em 2017. Nosso ponto é que H2 fará o custo da Fibria cair, trazendo folego para sua geração de caixa mesmo se a celulose cair. Como nosso horizonte de investimento é 3 anos, estamos mirando o retorno de um ambiente favorável para preços a partir de 2019. Até lá, a Fibria será maior e mais eficiente, e enfrentará preços melhores que os de 2018. Commodities são cíclicas, mas Fibria é a maior produtora mundial e a de menor custo. Por isso irá gerar mais caixa no médio/longo prazo dado seu crescimento. Outro ponto favorável é o fato do negócio da Fibria ser dolarizado. Como o resto da carteira do Versa é comprado na recuperação econômica brasileira, estar posicionado em um negócio dolarizado traz proteção à carteira caso o cenário político traga mais turbulência em 2018. Mais turbulência geralmente significa dólar mais alto. Nesse caso, é como se o preço da celulose subisse em reais.

      Espero ter esclarecido sua dúvida!

      Abraço
      Paulo

  2. Muito bom esse feedback quinzenal! Seguimos otimistas, baseado no histórico de vocês e na frase “Somos os maiores investidores do Versa e os mais impactados pela queda, mas sabemos que não há caminho fácil. Acreditamos que esta é uma das melhores oportunidades de investir na bolsa nos últimos anos, e esperamos tirar proveito disso.” Sucesso !

  3. Olá,

    Comecei a investir recentemente no Versa justamente pela transparência de vocês (poucos fundos tem um Blog bacana com uma proximidade com o investidor) e também pelo desempenho que o fundo vem demonstrando desde 2016.

    Tenho lido bastante sobre a estratégia de vocês e a espera de um retorno bastante positivo em 2019. No entanto, creio que acabei entrando em um momento mais delicado para o fundo pois, desde quando iniciei, o valor segue abaixo do que investi inicialmente.

    Em resumo, eu entendo que a estratégia de vocês é para mais longo prazo, mas gostaria de lhes perguntar se esperam um bom retorno também em 2018, ou se os frutos somente começarão a aparecer em 2019.

    Muito obrigado!

    • Boa tarde Rafael ! Obrigado pelos elogios.
      A pergunta que você nos fez é comum entre nossos investidores. Todos querem saber quando o fundo vai subir novamente, mas como falei ao final deste artigo, não há como prever. O fundo é composto por diversas ações compradas e vendidas a descoberto, cujos preços flutuam de acordo com o humor do mercado. Assim, na prática, o resultado está fora do nosso controle.
      Por exemplo, temos repetido que estamos mais comprados em ações por estarmos otimistas com a recuperação da economia e as reformas, e com isso o fundo tende a acompanhar as altas e quedas da bolsa. Mas como podemos ter certeza que a bolsa irá subir? Como prever se a alta será agora ou só no meio de 2018? Não tem como saber, e podemos estar errados. Os investimentos em ações podem levar um tempo ainda maior para maturar. Locamérica demorou 3 anos até engatar a alta e se tornar o maior retorno do fundo até hoje. Demorou mas valeu a pena.
      Nosso trabalho e nosso diferencial são a analise criteriosa que fazemos dos nossos investimentos. Temos confiança na nossa metodologia e o resultado tem sido muito satisfatório. Esperamos que, na média, os investimentos da carteira tragam um bom retorno sempre, mas esse certamente será composto de mêses excelentes, bons, ruins e muito ruins. O que importa, entretanto, é o acumulado de todos esses retornos, por isso aconselhamos investir para o longo prazo. Entendo que a perda gera ansiedade, mas no mercado acionário paciência é fundamental.
      Um abraço,

  4. Também sou cotista do Versa, inclusive com um percentual de alocação provavelmente maior que a média no que tange à distribuição do portfólio. Vocês, de longe são o fundo de maior transparência, competência e integridade que eu já vi. Mesmo com tamanha volatilidade, a segurança que passam com suas excelentes cartas, análises e artigos acaba sendo maior do que a maioria dos produtos de “menor risco” e renome que se encontra por aí. Espero que um dia sejam verdadeiramente reconhecidos pelo trabalho que fazem, pois ele é digno de muita admiração e respeito.

    Um abraço,
    Guilherme H.

    • Guilherme, muito obrigado pela mensagem inspiradora. Ficamos muito satisfeitos em saber estamos alcançando o objetivo de ser o fundo mais transparente do mercado. Essa é a nossa proposta e identidade. Obrigado!

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