Resultado Quinzenal: Versa -10,7%, CDI +0,3%, Ibov -4,7% (Nov-17)

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Resumo da Quinzena

Na primeira quinzena de novembro a bolsa caiu 4,7%, continuando a realização iniciada na última quinzena de outubro, quando a bolsa caiu 3,5%. A queda total nesse período foi de 8% enquanto o Versa, apesar da posição líquida média de 130%, caiu 7,6%. Esses últimos 30 dias foram marcados por intensa venda de investidores estrangeiros, que sacaram R$ 4,4 bi da bolsa, sendo que até o meio de outubro eles haviam aplicado R$ 14,8 bi. Dentre as diversas explicações para a piora do humor com o Brasil, a mais convincente é a desilusão com a Reforma da Previdência após Temer obter menos votos na segunda votação da denúncia contra ele do que teve na primeira. Houve também uma queda generalizada entre os países emergentes, ainda que menor do que da nossa bolsa. Por outro lado, a bolsa brasileira se destacava entre os emergentes, subindo 28% até o meio de outubro. Assim, tudo leva a crer que esta queda foi apenas uma correção da forte alta anterior, sem lastro nos fundamentos da economia. A taxa de desemprego em outubro continuou a melhorar, atingindo 12,4% da população ante 12,6% em setembro (em queda desde março quando atingiu 13,7%). A inflação, acumulada em 2,7% em 12 meses, está baixa e comportada. Apesar da pequena aceleração em outubro, puxada pela alta na energia elétrica causada pelas chuvas fracas, ela pode fechar 2017 abaixo do piso da meta de 3%. Ilan Goldfajn poderá ser o primeiro presidente do BC na história do Regime de Metas de Inflação, em vigor desde 1999, a se explicar porque deixou a inflação ficar abaixo da meta. O reflexo da melhora no emprego e na inflação está nas vendas do varejo, que cresceu 6,1% em setembro (em relação ao ano anterior), maior valor desde 2014 e em alta pelo sexto mês consecutivo. A alta é disseminada em todas as categorias, de artigos farmacêuticos e medicamentos (+8,3%) a móveis e eletrodomésticos (+16,6%), mercado da Via Varejo, que cresceu a maior taxa desde 2012. Assim, apesar da queda da bolsa e das ações, vimos a economia brasileira continuar a acelerar, e não mudamos a posição otimista da carteira.

31-out-17 14-nov-17 Variação
Versa 5,012 4,476 -10,7%
CDI aa 7,4% 7,4% 0,3%
Ibovespa 74.308 70.827 -4,7%

 

O descasamento do desempenho entre as ações compradas e vendidas a descoberto, responsável pela maior parte do retorno do Versa em 2017 foi também o maior causador das perdas da quinzena. Enquanto as ações compradas caíram -6,2% (incluindo a exposição através de opções), -1,5% a mais que a bolsa, as vendidas a descoberto caíram apenas -2,7%, 2% a menos que o índice Bovespa. Dos 15 setores investidos, apenas 3 tiveram resultado positivo. A maior perda foi no setor de varejo, que causou prejuízo de -3,3% e é composto pelas ações da Via Varejo, Hering e pelas vendas a descoberto em RaiaDrogasil e CVC. Apesar do resultado forte divulgado pelo IBGE, as ações da Via Varejo caíram -14,3% e causaram o maior prejuízo individual do fundo, de -2,1%. RaiaDrogasil, por outro lado, subiu 1,4%, mostrando porque é considerada uma ação defensiva e causando um prejuízo de -0,3% ao Versa. Em segundo lugar, o setor siderúrgico perdeu -2,3%, com a queda de -6,0% da Usiminas (perda de -0,9% ao fundo), e de -9,1% de Gerdau (perda de -1,4%). Do lado positivo o destaque foi o ganho de 2,3% no setor petroquímico, representante da venda a descoberto em Ultrapar, que caiu -8,8% após o resultado do terceiro trimestre mostrar que a margem da distribuição de combustíveis está sendo afetada pela nova política de preços da Petrobrás. Esta, por usa vez, caiu -8,5% apesar da estabilidade nos preços do petróleo e do Real, casando a segunda maior perda individual do fundo, de -1,7%.

Livro Posição Líquida Lucro (Prejuízo)
Long 183% -11,1%
Short -119% 3,2%
Opções 71% -5,2%
Juros 0,2%
CDI 71% 0,2%
Taxas 2,3%
Resultado   -10,7%

 

A volatilidade do Versa

Em diversos momentos, como no vídeo gravado para a Órama, no artigo sobre o risco x retorno do Versa, e na página sobre como investir, alertamos sobre o risco oriundo da alta volatilidade do fundo. O risco, na prática, é a possibilidade do fundo sofrer quedas abruptas, como agora, e é parte integrante da estratégia que possibilita, mas não garante, altos retornos no longo prazo. Assim, se reduzíssemos as posições para resguardar o patrimônio, diminuiríamos também a sua volatilidade e a possibilidade de recuperar a perda, assim como o potencial de retorno do fundo no longo prazo. A principal razão para isso é que a volatilidade do fundo não é constante, alternando entre momentos com variações menores e maiores, como agora. Considerando que o fundo sobe no longo prazo, quanto maior a volatilidade, maior a chance de retornos de curto prazo serem negativos, pois estatisticamente a probabilidade de ser positivo tende a mesma de ser negativo (50%). Por este resultado matemático e pelo Versa ser um fundo de alta volatilidade a todo momento, desaconselhamos os clientes a olharem a cota do fundo com muita frequência. O cliente que olhou a rentabilidade do fundo apenas no fechamento de cada ano viu quedas menores do que os meses ruins no caminho, e uma alta muito maior do que todas as altas do percurso. Assim, como temos consistência e confiança no nosso trabalho e na estratégia do fundo, não nos preocupamos com a volatilidade da cota, mas sim com as teses de investimento que compramos. Até agora não vimos motivos para mudar de convicções, por isso aproveitamos a queda das ações para reforçar algumas posições, que não mudaram significativamente a carteira. Estamos otimistas com a economia brasileira e, agora, com a Reforma da Previdência. A eficácia da reforma deve ser inferior aos 70% iniciais, ainda assim será positivo para a economia.