Resultado Quinzenal: Versa -20,3%, CDI +0,3%, Ibov -1,6% (Set-18)

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Os últimos dois meses

Desde o início do Versa prezamos pelo alto nível de transparência para deixar todos à par dos riscos do fundo e para explicar turbulências como esta, que imaginávamos que chegariam. O artigo O risco-retorno do Versa inclusive, de setembro 2017, começa da seguinte forma:

“Com alta de 219% nos últimos 12 meses, o Versa tem se destacado pelo alto retorno, principalmente comparado aos 12% do CDI e aos 22% do índice Bovespa. Isso nos leva a pensar que alguma alquimia garantirá a continuação destes retornos e a esquecer o alto risco do fundo, que é o principal responsável por tal desempenho.”

Estamos passando por um momento de volatilidade, como já passamos algumas vezes na história do Versa. Nesses últimos 2 meses nossas maiores posições vendidas a descoberto, os shorts, decolaram. Do outro lado diversas ações compradas, os longs, afundaram.

A melhor explicação que encontramos está na diferença de estilo entre os papéis. Os papéis da nossa carteira comprada, como as lojas Hering e Br Properties são empresas que dependem do crescimento da economia para performar. São papéis baratos pelas dificuldades que enfretam no momento. Do outro lado Weg e IRB são empresas “defensivas” pela recorrência nos resultados, apesar de serem papéis extremamente caros.

A Hering, por exemplo, passou todos os últimos 4 anos sem crescer as vendas. Foram 2 anos de forte crise e outros 2 de desemprego elevado, que se mantém. Durante boa parte desse tempo perdeu margens, que já recuperou em parte. As vendas ainda estão fracas, mas vão crescer quando a economia acelerar, o que esperávamos para 2018 mas ficou para o ano que vem. Já a Br Properties é uma empresa dona de lajes comerciais e galpões. Ao longo da crise vários escritórios foram devolvidos. A empresa ainda tem muitas lajes vazias, outras em reforma, mas já começou a alugar.

Grande parte das perdas está nas posições vendidas à descoberto. A Weg tem operações no exterior e sempre foi uma “queridinha” dos investidores estrangeiros. Quando o dólar sobe a parte do exterior aumenta a participação nos resultados, o que faz da empresa “defensiva”. A maior perda da carteira, entretanto, foi IRB. O papel mais que dobrou desde o IPO a um ano atrás. O IRB tem níveis de rentabilidade que não são encontrados em nenhum lugar do mundo, fruto do monopólio no Brasil. Esta condição foi quebrada, mas a concorrência ainda não chegou. Subestimamos a velocidade que a quebra do monopólio aconteceria, e pegamos grande parte da alta vendidos à descoberto. Foi a maior perda do ano até agora. 

Apesar da volatilidade estar prevista nas características do fundo, a forte e rápida nos levou a reflexões e ajustes nos parâmetros do fundo.

O Versa teve esse espetacular retorno desde o início em função da alavancagem. Essa se dá não apenas no tamanho da carteira, mas no tamanho individual das posições. O short entretanto, apresenta um problema. Quando sobem mais que a carteira, as posições aumentam rápido. Até hoje trabalhamos com o limite de 25% do PL ativo e 30% passivo para uma posição vendida à descoberto. Após estes movimentos, julgamos que estes limites estão inadequados. Por isso ajustamos o tamanho máximo das posições vendidas à descoberto para 15%, limitada a 20% passivamente. Com essa mudança, somos obrigados a diversificar a carteira vendida, trazendo mais estabilidade e evitando short squeezes. Outro problema detectado foi o limite da exposição bruta (gross). Quando um fundo alavancado cai, a exposição aumenta. Quanto maior o gross, mais rápido acontece. Não usávamos um limite de exposição bruta, apenas das posições individuais. A partir desta quinzena estabelecemos o limite de 300% para o gross, com margem de 15%, de forma a impedir que a alavancagem aumente excessivamente em momentos de stress como o atual.

Implementamos as mudanças e esperamos que os resultados apareçam em breve. Os ajustes nas regras são saudáveis e fazem parte da construção desse produto que tem o objetivo de surfar com força as tendências de alta e preservar o capital em momentos adversos. Se os novos parâmetros não trouxerem os efeitos desejados faremos novas mundanças, sempre em caráter restritivo. Cabe ressaltar que o fundo continua sendo de alto risco, por isso deve-se investir apenas uma pequena parte do patrimônio com horizonte de longo prazo. Os únicos que devem ter a maior parte do patrimônio investido no Versa são os sócios da gestora, como temos.

Resultado

31-ago-18 14-set-18 Variação
Versa 5,066 4,036 -20,3%
CDI aa 6,4% 6,4% +0,3%
Ibovespa 76.678 75.429 -2,7%

 

A carteira vendida à descoberto causa maior desconforto, porém as perdas da quinzena se deram principalmente na carteira comprada, que caiu -7,7% enquanto a vendida subiu +1,8%.

Livro Posição Líquida Lucro (Prejuízo)
Long 213% -16,4%
Short -138% -2,5%
Opç Bolsa +40% -2,5%
Opç Dólar -14% -0,2%
CDI +0,3%
Taxas -0,1%
Resultado -20,3%

 

Apesar das fortes perdas em Hering, BrProperties e Iochpe, continuamos otimistas com os fundamentos das empresas. Em função do aumento da alavancagem e do novo limite de exposição bruta, ajustamos o tamanho das posições e continuamos comprados nas ações. Também adequamos IRB aos novos limites de posições vendidas à descoberto.

Variação
Ação
Perdas Versa
HGTX3 -11% -3,1%
BRPR3 -9% -2,9%
MYPK3 -11% -2,4%
LCAM3 -6% -2,1%
IRBR3 +6% -1,6%
USIM5 -13% -1,6%

maiores perdas em setembro

Pela primeira vez desde que começamos a escrever este relatório não tivemos retornos positivos significativos para mostrar, uma prova do quão atípica foi esta quinzena.