Resultado Quinzenal: Versa +3,9%, CDI +0,2%, Ibov +5,3% (Jul-18)

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Resumo da Quinzena

No início de julho o estresse dos mercados diminuiu. A economia americana continuou a produzir dados que corroboram o forte crescimento esperado para o ano (~2,8%). As taxas de juros futuras, cujos aumentos do início do ano desencadearam a migração de capitais dos mercados emergentes para o americano, se estabilizaram e o dólar parou de apreciar. Os EUA continuaram a provocar tensões comerciais com a China e a União Européia, mas os mercados pararam de reagir às notícias. A aversão a risco diminuiu.

29-jun-18 13-jul-18 Variação
Versa 5,649 5,870 +3,9%
CDI aa 6,4% 6,4% +0,2%
Ibovespa 72.763 76.594 +5,3%

O Versa acompanhou a direção da bolsa, mas não a magnitude. A carteira comprada (long) subiu +6% gerando lucro de +11,9%. A vendida à descoberto (short), que inclui o hedge no S&P comentado no último quinzenal, subiu +5% e causou prejuízo de -9,2%. A posição em opções de bolsa, dividida entre Petrobrás, Banco do Brasil e índice futuro, lucrou +2,7%.

Livro Posição Líquida Lucro (Prejuízo)
Long 197% +11,9%
Short -184% -9,2%
Opç Bolsa +59% +2,7%
Opç Dólar -26% -0,2%
CDI +0,2%
Taxas -0,4%
Resultado +3,9%

Usiminas está entre as empresas da carteira com maior dependência da recuperação econômica. Por isso, quando aumenta a aversão à risco é uma das ações que mais cai, e das que mais sobe quando a aversão diminui. Em maio e junho Usiminas foi a segunda maior perda do fundo. Na primeira quinzena de julho recuperou parte das perdas. As variações das outras ações, de forma geral, também são explicadas pela redução da aversão a risco.

Variação
Ação
Ganhos Versa
USIM5 +14% +2,7%
DIRR3 +13% +2,2%
LCAM3 +8% +2,0%
BBAS3 +9% +1,0%

maiores ganhos em julho

Variação Ação
Perdas Versa
RADL3 +13% -3,7%
IRBR3 +9% -2,4%
S&P +3% -2,2%

maiores perdas em julho

O Hedge, pt.2

Um hedge deve produzir resultados contrários ao resto da carteira, ou seja, deve ter correlação negativa com o portfolio. As estatísticas, entretanto, são instáveis (gráf. 1) e o hedge pode não produzir o efeito desejado. Assim, um hedge agrega risco como qualquer outra posição e, da mesma forma, só deve ser feito se tiver assimetria positiva. Um hedge deve ser grande o suficiente para proteger sem, entretanto, atrapalhar o desempenho do portfolio caso o cenário adverso não se concretize. Um hedge não compensa a perda de convicção na carteira que ele protege. Neste caso, a carteira deve ser reduzida.

Gráfico 1: Correlação do Ibovespa vs S&P500 usando janela móvel de 30 dias úteis

Em janeiro de 2016, quando o Versa atingiu o seu menor valor, protegemos o fundo vendendo futuros de S&P. Diante do impeachment da Dilma tínhamos confiança que os ativos brasileiros iriam valorizar, entretanto o cenário internacional estava nebuloso após a forte fuga de capitais da China. Mantivemos o hedge por alguns meses, causando prejuízo de -10% ao fundo, pequeno perto da alta de 182% no ano. Em abril de 2016 e em agosto de 2017 protegemos o fundo comprando a taxa de juros brasileira de curto prazo. Achávamos que a taxa incorporava cortes suficientes para ficar estável caso o cenário otimista se concretizasse, ou subir caso o Banco Central fosse obrigado a interromper o ciclo de cortes nos juros. Esses hedges tiveram resultados inexpressivos.

No último relatório de resultados comentei a proteção para a carteira que fizemos vendendo futuros de S&P. Apesar do S&P ter se movido na direção contrária ao Ibovespa no último sell-off, na maior parte do tempo os dois índices têm correlação positiva (gráf 1). Com a redução da aversão à risco, o S&P voltou às máximas e a se comportar como de costume. Como Paulo escreveu no artigo, vemos razões para o rally do S&P estar chegando ao fim, por isso se tornou uma alternativa para hedge da carteira. Enquanto o FED eleva os juros para desaquecer a economia e controlar a inflação, a redução dos impostos e o protecionismo comercial do Trump dão um último impulso aos EUA e podem exigir medidas corretivas mais fortes. Continuamos confiantes que a economia brasileira continuará a se recuperar nos próximos anos, porém uma desaceleração americana deve afetar o resto do mundo, inclusive o Brasil. Carregaremos o hedge vendido no S&P enquanto avaliarmos que a posição tem assimetria positiva. O hedge ganhou +1,7% em maio enquanto o resto da carteira perdeu -13,1%, e perdeu -2,2% na primeira quinzena de junho enquanto o resto do fundo ganhou +6,1%.

22 COMMENTS

  1. Entendo que o valuation das empresas radl3 e irbr3 mostra preços caros e isso justifica a posição vendida, mas taticamente esses ativos tendem a ser muito defensivos. Ou seja, em momentos de maior estresse costumam ser papéis de porto seguro que não caem tanto ou ate sobem. Taticamente essas posições valem a pena?

    • Iure, tudo bem? Realmente são papeis defensivos que caem pouco no estresse. Porém, como não sabemos quando o estresse começa e quando termina, nos atemos aos fundamentos. Um abraço,

  2. É aquilo que eu falo… quem realizou a posição e não esperou à correção … liquidou em prejuízo e perdeu os 14,9% de remuneração desse mês até o momento. Coisas da renda variável e de perfil de risco. Vamos que vamos! Parabéns pelo ótimo resultado! Torcendo para o mercado continuar melhorando. ABS

  3. Luiz, Sem perspectivas de criar um Versa Prev?
    Parece que a legislação foi flexibilizada:

    Recorte da empiricus sobre os novos long biased prev( Apex já possuiu um)….

    “”””A Ibiuna, gestora independente pioneira no lançamento de fundos de previdência, acabou de lançar um produto novo com a seguradora SulAmérica: uma versão para aposentadoria de seu fundo long biased.

    Em 49 por cento do patrimônio, o fundo vai seguir exatamente a mesma estratégia do gestor André Lion, podendo ficar comprado ou vendido em ações, ou seja, apostando na alta ou na baixa delas. Essa parcela pode ficar com exposição líquida nula ou até 100 por cento comprada em Bolsa.

    O produto não se aproveitou das regras novas da previdência, que permitem aos produtos oferecidos no varejo chegar a 70 por cento em Bolsa. No caso dos 51 por cento restantes da carteira, vai reproduzir estratégias de renda fixa nas quais tem maior convicção.

    Uma vantagem em relação aos produtos de previdência disponíveis no mercado é a possibilidade de se posicionar vendido em ações. Com pouca abertura regulatória para investir fora e restrições de administradores há até pouco tempo para posições vendidas, a indústria de previdência de forma geral é muito comprada em Brasil.””””

    Imagina poder estar no versa e ainda conseguir restituição de IR que pode chegar a 27,5%

    • Bom dia Alan,

      Vamos pensar nessa possibilidade para o futuro.

      Obrigado por compartilhar sua ideia.

      Atenciosamente,
      Marcus Vinicius

  4. Como toda a equipe Versa e alguns dos cotistas já havia dito… a queda foi uma baita oportunidade para o Versa se reposicionar e já estamos colhendo os frutos bem mais cedo do que imaginava. Parabéns Luiz!
    Fica a lição para aqueles que saíram justo no ápice da queda.

  5. Pela primeira vez provei a sensação de ter sangue de barata e fiz mais aportes na queda, exatamente ao contrário do que o pessoal (pelo menos vários deles dos comments) acabou fazendo e realizando prejuízos. Suspeitava, mas não estava convicto de que a queda foi exagerada, porém a equipe do fundo está aqui regularmente para mostrar o que é fato e o que é ruído. Outra coisa que fiz foi ler cartas de outros gestores e praticamente sem exceção estavam todos alinhados.
    Acho desrespeitoso a forma com que muitos cotistas trataram a equipe, duvidando do operacional e jogando na lata do lixo o trabalho do ano todo só pra agradar as próprias convicções/visões – e principalmente por não aceitarem o risco do investimento…
    Vocês são os profissionais que mais admiro no mercado e deixo aqui meus parabéns pra toda a equipe!

    • Fiz exatamente a mesma coisa que você. Praticamente dobrei minha posição no versa no final do mês de junho. Acredito que tenha sido a decisão mais acertada.

  6. Decepcionante o resultado de Hering. Será que foi apenas o calor e a greve dos caminhoneiros? Na cidade onde moro a franquia Hering está sempre vazia apesar de estar localizada em rua de bom movimento junto a outras lojas. O mais intrigante é que a loja da franquia está sempre vazia enquanto lojas de outras marcas estão cheias. A impressão que passa é que os produtos oferecidos, a loja, a franquia não oferece tanto apelo aos consumidores como era um tempo atrás o que seria bem mais grave.

    • Estranho… a loja próximo de minha casa em um shopping, mal dá para entrar… está sempre lotada! Inclusive fiz algumas compras com uma ação de liquidação que eles fizeram na semana passada. Isso é subjetivo. Não dá para tirar conclusões avaliando 1 loja.

  7. Pode ser problema local, sim. Como pode ser algo mais amplo, afinal, o release de resultados mostra que o número de lojas diminuíram de um ano pra cá. Eu moro na região sudeste, interior de SP. De fora temos pouco acesso as informações, os fundos tem muito mais acesso para diagnosticar o que acontece, reconhecer onde há valor. A equipe Versa é extremamente competente para reconhecer valor, sem dúvidas, eu postei aqui hoje por lembrar de ter visto que HGTX é a maior posição LONG e como “leigo” no mercado não consegui identificar o grande diferencial em Hering no momento. O que me intriga é que Hering é uma marca nacional, assim como outras varejistas no mesmo local e vejo lojas de outras marcas cheias enquanto a loja/franquia Hering sempre que passo em frente está vazia.

    • Ricardo, eu compartilho da sua opinião, aqui em Goiânia quando vejo a loja da Hering que visito sempre está vazia. Mas os gestores do versa sabem o que estão fazendo e deve ser justamente esse momento de instabilidade que podem estar vendo uma oportunidade de crescer junto com a Hering

      • Os comentários de vocês vão em linha com o que foi dito pela diretoria no conference-call. As lojas tem uma dispersão de desempenho muito alta. Alguma vão muito bem e outras muito mal. Um dos desafios da empresa é onitizar esse desempenho. Como os fraqueados escolhem que mercadorias comprar, diversas vezes erram a coleção. A assertividade das lojas próprias é maior, o que se reflete no melhor desempenho delas. Outro fator que causa grande diferença no desempenho é o layot da loja. As lojas reformadas performam muito melhor que as antigas. Se o banner for preto, a vitrine for maior e a loja for clara, é uma loja nova. Se o banner for de madeira, a entrada uma portinha, o interior amarelado e bagunçado, é uma loja antiga. Anyways, o resultado foi fraco mas recheado de não-recorrentes. Apesar disso, a empresa gerou 11% de caixa anualizado. Esperamos que, com a melhora da economia, as vendas recuperem. Quando isso acontecer, Hering se beneficiará da grande alavancagem operacional. A lucratividade explode, e o papel também. Abraços a todos

  8. Prezado Luiz Alves, como a bolsa de valores pode se beneficiar com Alckmin já que ele mesmo disse que pretende taxar os dividendos?

    • Tudo bem Fabio? Ótima pergunta. A taxação de dividendos diminui marginalmente a atratividade das ações. Por outro lado, Alckmin prevê a redução da alíquota das empresas em contra-partida ao dividendo, o que neutralizaria o impacto. O principal benefício da eleição do Alckmin no curto prazo é o choque positivo na confiança dos empresários. No longo prazo, são as reformas que propõe. Precisa levá-las a cabo
      Um abraço,

      • Ah ok agora entendi!! Já estou contente agora. Parabéns pelo excelente trabalho de toda equipe do Versa, vendi todas as minhas ações para investir nos fundos e estou contente, continuem assim!!! Abraços!!

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