Terra Santa Agro anuncia iniciativas de melhoria na estrutura de capital

A Terra Santa Agro acaba de anunciar um plano de re-equilíbrio de sua estrutura de capital, trazendo mais visibilidade à trajetória de recuperação financeira da Cia. Se bem sucedido, o plano permitirá que a Terra Santa atinja até 2025 um patamar operacional/financeiro igual ao dos melhores operadores agrícolas listados na bolsa brasileira. Mais detalhes abaixo.

0
580

A Terra Santa Agro, uma das maiores produtoras de grãos (soja, milho, algodão) no Brasil, anunciou ontem um plano para recuperar sua estrutura de capital. Nosso pequeno investimento na empresa mira a recuperação operacional/agrícola e consequente desalavancagem financeira da companhia, que enfrentou desafios importantes de produtividade e preço de grãos ao executar um business plan ambicioso de correção de solo, investimento em maquinário, crescimento de área plantada e melhorias de gestão agrícola nos últimos anos. A Terra Santa hoje é uma produtora de grãos de primeira linha mas está altamente endividada (5,1x dívida liquida/EBITDA 2019E). A Cia possui um portfólio de >100 mil hectares de terras altamente produtivas (~60 sacas/ha de soja) em um dos melhores lugares para plantar grãos no mundo, o estado de Mato Grosso. Com o plano anunciado ontem, que re-estrutura ~60% da dívida da Cia e propõe um aumento de capital de até R$150 milhões, esperamos que a empresa entre em trajetória adequada de redução do seu endividamento, viabilizando geração de caixa sustentável e, ao longo do tempo, mais oportunidades de crescimento e geração de valor para o acionista.

O que está no plano?

  1. Renegociação de Dívida: A empresa está re-estruturando 59% da sua dívida, prolongando o prazo de amortização e reduzindo o custo médio da dívida em 1%. O prolongamento traz um ganho, em valor presente líquido, de ~R$90 milhões. A redução de custo médio gera uma economia de despesas com juros de ~R$5 milhões por ano, que representa um valor presente líquido de R$41 milhões.
  2. Aumento de capital: Propuseram um aumento de capital de R$50 milhões ao preço de R$13,51/ação. Para cada ação nova emitida, 2 bônus de subscrição serão ofertados, dando opção de compra de mais uma ação cada ao mesmo preço de R$13,51/ação. A ação fechou ontem à R$13,62. Se todos os atuais acionistas aderirem, a empresa levanta R$150 milhões, que reduziria a dívida liquida em -18%. A alavancagem da Cia iria para 4,1x dos 5,1x atuais. Se adicionar a economia, em valor presente líquido, da re-estruturação de dívida mencionada acima, a divida liquida “pro-forma” chegaria em 3,6x.

De acordo com nossas estimativas, não havendo desafios de preço de grãos ou câmbio, e assumindo que a empresa continue melhorando lentamente sua produtividade agrícola nas próximas safras, esse plano permite que ela elimine seu endividamento praticamente por completo em 5-6 safras. Em um cenário mais comedido, em que a empresa mantém sua produtividade estável no período, sua alavancagem financeira no final do período seria abaixo de 2,0x EBITDA, nível compatível com pares do setor agrícola brasileiro listados em bolsa (SLC Agrícola, Brasil Agro).

Além de atacar o endividamento, o aumento de capital pode trazer uma melhoria da liquidez (negociabilidade) das ações da Terra Santa, pois aumentaria o número de ações da empresa em até 62%, assumindo adesão de todos os acionistas atuais.