Resultado Mensal (Mar/20): Versa -15,3%; Fit -5,3%; Charger -32,5%; Tracker -2,0%

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Nossa última carta mensal chamou atenção à queda histórica nos mercados de ações mundialmente em fevereiro devido ao avanço do novo coronavirus. Naquele mês, o índice bovespa havia caido -8,4%. A marca foi facilmente vencida em março, com o Ibovespa amargando uma perda de -29,9%. O principal índice de ações americano (S&P 500) caiu -12,5%. Março foi o mês da disfuncionalidade dos mercados financeiros internacionalmente. Foi o mês do prêmio por liquidez; o mês em que compradores de ações receberam profundos descontos em troca de liquidez para quem precisou desesperadamente reduzir risco, reduzir posições, reduzir alavancagem. Com a queda de março, a bolsa brasileira acumulou uma perda de -39% desde meados de janeiro.

A velocidade da queda em ações globalmente chama atenção, por dois motivos: (1) é muito raro – nos últimos 93 anos, o S&P 500 teve perda mensal maior que 12% somente 19 vezes, 12 das quais ocorreram entre 1929 e 1933; e (2) pela impressionante e quase indiscriminada destruição de valor. Conhecemos alguns exemplos de excelentes empresas com baixo ou zero endividamento que nesse período chegaram a valer metade (ou até menos) do que valiam em janeiro. Por isso, mesmo reconhecendo a gravidade do coronavirus para a saúde pública e economia mundial, optamos por “virar a mão” durante o mês de março. Reposicionamos o fundo para uma exposição líquida comprada em ações.

Com esse ajuste ao longo do mês, o Versa novamente teve desempenho melhor que a bolsa, mas por estar comprado em ações dessa vez teve uma perda de -15,3% no mês. As quedas no Versa Fit, Tracker e Charger (nosso long-only) foram -5,3%, -2,0% e 32,5%, respectivamente.

Resultados Fundos

Estratégias do Versa LB FIM e Fit LB FIM

Estratégia do Versa Charger FIA

Estratégia do Versa Tracker FIM

Destaques Positivos

Os dois maiores ganhos do mês vieram das posições vendidas em bolsa brasileira através de índice futuro (INDJ20) e contratos do ETF BOVA11 (um fundo passivo que mira o desepenho do Ibovespa). Quando reposicionamos o fundo para estar com uma exposição líquida comprada em ações, tiramos a posição em INDJ20.

O terceiro maior ganho do mês veio de IRBR3, uma posição vendida a descoberto. As ações do IRB cairam -71% em março, após a Berkshire Hathaway negar ser acionista do IRB, contradizendo afirmações feitas pela alta diretoria do IRB. O evento levou à demissão do CEO e CFO do IRB.

O quarto maior ganho veio das ações da SLC Agricola. As ações subiram +12,5% no mês devido ao perfil mais “defensivo” do negócio de grãos diante do surto do coronavirus. O negócio da SLC está na base da cadeia de alimentação e deve ser preservado das ordens de distanciamento social usadas para retardar o avanço do vírus. Além disso, os produtos da Cia são, de forma geral, precificados em dólar. A alta de 16,3% do dólar no período aumenta o potencial de rentabilidade da Cia.

O último destaque positivo veio da posição vendida a descoberto nas ações da Natura. As ações sofreram com a perspectiva de forte redução na atividade econômica mundial e na renda disponível para produtos de varejo discricionário.

Maiores ganhos de março

Destaques Negativos

As maiores perdas do mês vieram do livro de ações compradas, principalmente ações do setor de varejo doméstico (AMAR3, VVAR3, HGTX3). Essas ações são de empresas ligadas ao consumo discricionário (aquele consumo que pode esperar). Esses negócios tendem a desempenhar mal em períodos de retração econômica e queda de renda. Dito isso, entendemos que essas empresas são robustas para suportar uma crise temporária de demanda. Todas tem endividamento baixo ou nulo. Todas sobreviveram a mais longa e profunda recessão brasileira nos últimos anos. Todas deveriam experimentar uma recuperação importante quando o mundo superar o coronavirus. Por isso, mantemos as posições compradas nesses níveis de preço. O mesmo vale para as ações da BR Properties e do Itaú, quarta e quinta maiores perdas do mês de março.

Maiores perdas de março

Disclaimer: As opiniões, análises e informações contidas nesse artigo não constituem recomendação de investimento, nem tampouco material de oferta para subscrição, compra ou venda de títulos ou valores mobiliários, instrumentos financeiros, cotas em fundos de investimento ou qualquer produto ou serviço de investimentos. Declarações contidas neste artigo relativas às perspectivas dos negócios, projeções de resultados operacionais e financeiros, bem como referências ao potencial de crescimento das companhias citadas, constituem meras previsões, baseadas nas expectativas do analista responsável em relação ao futuro. Essas expectativas são altamente dependentes de fatores incertos, como o comportamento do mercado, da situação econômica do Brasil, da indústria e dos mercados internacionais. Portanto, cada declaração aqui escrita está sujeita a mudanças, e não deve ser utilizada como insumo para qualquer estratégia de investimento pessoal ou institucional. A Versa Gestora de Recursos Ltda., seus sócios e colaboradores, por meio dos fundos de investimentos da casa, podem ou não estarem posicionados em títulos e valores mobiliários de emissores aqui mencionados, de forma que eventualmente influencie nas opiniões e análises aqui presentes.